• Marta Castro

Delegação e confiança: duas faces de uma mesma moeda, dois lados de uma mesma história



Meu primeiro emprego formal foi como professora de ballet clássico. Eu era uma aluna muito dedicada e responsável e, quando conclui o curso de ballet, a escola por onde me formei me ofertou o trabalho e eu prontamente aceitei.


Muito mais do que ensinar passos, tinha que lidar com crianças, adolescentes e pais. Nesta mesma época eu fazia bico como guia, levando grupos para a Disney.


Fui uma primeira vez como ajudante de guia e, mais uma vez, por conta da minha dedicação e responsabilidade, no ano seguinte já ganhei meu próprio grupo, sendo que eu era apenas 5 anos mais velha do que a maioria dos passageiros.


E desde então sempre tem sido assim. Eu vou conquistando espaço, oportunidades e autonomia.


Observe que eu falei “conquistando” e não “ganhando”.


Um erro que as pessoas cometem é usar o verbo “dar” ou “ganhar” para falar de delegação.


Mesmo nós do Instituto Planos, que adotamos e implantamos um modelo de empresariamento pautado na descentralização, acreditamos que qualquer processo de delegação deve ser planejado e responsável.


Portanto, mesmo que a empresa seja uma empresa descentralizada, a delegação não será para todos, mas para aqueles que por um lado serão preparados para assumirem tarefas e responsabilidades e que por outro responderão e corresponderão positivamente a esse preparo, conquistando a confiança de seu líder.


Pode existir delegação sem confiança?


Claro que não! Delegação e confiança caminham juntas, lado a lado, de braços dados.


Assim como, em um corrida de revezamento a dupla precisa estar confiante em seu companheiro para passar o bastão, na empresa acontece o mesmo entre o líder e os seus liderados.


Delegar sem confiar é um ato irresponsável e não delegar tarefas e responsabilidades para pessoas que estão prontas para assumi-las, ou seja, pessoas em quem podemos confiar, pode denotar insegurança ou revelar características de liderança que já não cabem na gestão contemporânea, como a centralização.


Então concluímos que a delegação só acontece quando o liderado conquista a confiança do líder que está disposto a delegar.


E o que é conquistar a confiança? Para quem não sabe, a palavra “confiança” vem do latim confidere, que significa “acreditar plenamente, com firmeza”. O sufixo “fidere” significa fé, por isso a palavra confiar é muito usada como sinônimo de fé.


Conquistar a confiança seria, então, merecer a fé de outro sobre si.

Na THOR – Tecnologia Humanista Orientada para Resultados, nós entendemos a confiança a partir de quatro perspectivas diferentes e complementares, que são construídas nesta ordem, a saber: 

  • A Confiança Moral, cujo sentido está muito próximo do senso comum de probidade moral, que compõe o significado da palavra em diversos dicionários.

  • A Confiança Conceitual, que por sua vez é uma perspectiva muito original e particular nossa, que pressupõe o alinhamento e a convergência de visão, valores e formas de atuação.

  • A Confiança Profissional, que também faz parte do significado oficial de crença na competência.

  • A Confiança Afetiva, que é a criação de laços de respeito e cooperação.

Falando de uma maneira menos filosófica e mais prática, ganha a confiança aquele que não rouba, não mente, não passa a perna; que discute com maturidade e transparência as diferenças de pensamento e não pratica o que não está alinhado; que só desenvolve trabalhos que está habilitado a fazer e busca se capacitar para assumir novos desafios; e, por fim, que contribui para relações ganha-ganha e para um ambiente profissional saudável e positivo.


E vale ressaltar que, em caso de quebra de confiança, todas elas podem ser resgatadas, exceto a confiança moral.


Voltando a minha história de vida e carreira, meu último e maior desafio foi quando Ângelo Veiga, Fundador do Instituto Planos, me pediu para assumir a direção da empresa em 2017, enquanto ele assumia um desafio no exterior, que durou quase dois anos.


Neste momento senti o mesmo frio na barriga que senti aos 19 anos ao entrar numa sala de aula cheia de menininhas de tutu ou ao sair pelos parques com 45 adolescentes desacompanhados, mas me ocorreu que para a delegação acontecer, da mesma forma que o liderado precisa conquistar a confiança do líder, o líder precisa ter conquistado a confiança do liderado.


Eu confiava em Ângelo, em tudo que ele construiu, e na sua decisão de acreditar mais em mim do que eu mesma. Então eu aceitei.





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